terça-feira

Figas!

Com o polegar entre o dedo indicador e o médio, o jogador treme, delira, grita, ofega: “Pode ser que saia! Pode ser que saia!”...”Não saiu. Nunca tenho uma unha de sorte”. Deambula, desiludido, com a mão desafortunada num dos bolsos e a outra com um cigarro, o azar dos pulmões, congeminando “Quando eu: tiver, ganhar, herdar, roubar, descobrir, receber vou: fazer, acontecer, construir, melhorar, repartir, doar. Só espero que os astros, os números, os dados, os deuses estejam do meu lado uma vez. farei rezas, farei figas”. Pelo caminho embate num grupo de derrotados, enganados, empobrecidos de esperança, mortos pelo desespero e outros aleijados de alma e ouve a admoestação: “Quem faz uma figa perde uma mão para trabalhar”.

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